terça-feira, 21 de maio de 2013

Assim me pareceu

O teto do playground nunca foi tão baixo.Virei o pescoço para medir. A cor é estranha, um amarelo misturado com salmão. Um quadro negro borrado de giz -- eu mesma tinha escrito tanta coisa lá um dia, mas já apagaram. Deitada na mesa de cimento, penso em um cheiro de mar. Não um cheiro bom, idealizado, mas daqueles fortes que queimam as narinas. Imagino minhas mãos afundando na areia... Entre silêncios e palavras espaçadas  goles de nós mesmos, aumentamos a distância entre dois. Eu não estive ali -- era só o meu corpo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Lemberi-me de Manuel Mandeira...

"Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não."

Tantas vezes insistimos em ser alma, enquanto a parte de nós que deve ser é corpo.

Tantas vezes insitimos em sermos apenas na alma, e tão pouco de nós enxergamos no corpo.

Gosto de ser só corpo, bem maracangalha.

Anônimo disse...

As palavras escritas... Não ditas... Me ferem por não sair de mim... São como lança... Maldita herança... Que carrego até o fim...

Anônimo disse...

Ai, ai, palavra não é corpo... se assemelha mais a alma...

Por mais que a gente grite, bata na mesa, lance o copo contra a parede, a palavra é menos corpo do que alma.

Quando a gente lança palavra com força, com muita força, fica com a sensação de que a alma foi um pouco com ela... o corpo sente, mas sente uma certa falta de alma...

O problema da palavra é que ela é alma demais...

Anônimo disse...

Às vezes o pensamento leva a gente tão longe, que chega a parecer que de fato estivemos em outro lugar, que fizemos diferente... Acho que é o corpo desejando sair de si, para voar como não consegue, tentando acompanhar o querer...Este sim, vai voando longe e alto na frente...