quarta-feira, 17 de abril de 2013
Aqui ou acolá
Ela poderia ser gentil, pornográfica ou misteriosa. Não necessariamente nessa ordem. Ou mais ansiosa, menos perversa, mais tensa, menos cuidadosa. Ela poderia ser mais compulsiva ou autodestrutiva. Mulher-bomba emocional. Ou criar um factoide louco. Ela poderia tentar ser mais uma. Poderia tentar ser muito especial. Poderia quebrar-se inteira, expor-se demais. Poderia dar todas as bandeiras, de bandeja. Poderia recitar poesias em praça pública para arrebanhar fiéis. Poderia tentar adivinhar no escuro. Ou tentar imaginar, tornar-se a típica paranoica Ser teatral, mais que fingida. Fingir que está muito feliz. Ou chorar. Ela sempre poderia chorar, porque chorar quase sempre funciona. Mas ela não vai fazer nada. Ela vai esquecer dessa coisa de ter que fazer. Ou não ter que fazer.
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2 comentários:
São tantos que, tolos,
tanto me tentam,
que tento não ter
de torcer por nenhum
Tão mortos são todos
que tornam-se todos
que teimo em nunca
torcer por algum
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